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Relatório de Pesquisa

Efeitos do Método Coaching Integral Sistêmico Sobre Qualidade e Satisfação com a Vida

TAUILY TAUNAY
PRISCILA SOUZA
PAULO VIEIRA

FORTALEZA-CE 2014

1. Introdução

1.1 Coaching Integral Sistêmico (CIS)

O Coaching Integral Sistêmico é uma metodologia de desenvolvimento pessoal
orientada à conquista de objetivos, desenvolvimento da inteligência emocional e
mudança de estilo de vida, baseado na metodologia de coaching e conhecimento de neurociências, operando no âmbito do paradigma holístico (sistêmico).

O coaching é um processo relacional conduzido por um profissional habilitado
destinado a produção de resultados significativos na vida pessoal e profissional do cliente, por meio da identificação clara de seu estado atual, estabelecimento de metas e elaboração de um plano de ação. O coaching auxilia o cliente a melhorar seu funcionamento e sua qualidade de vida com base em seus princípios e valores. O coach é treinado para escutar, observar e adaptar sua abordagem às necessidades do cliente, baseando-se na premissa de que o cliente é naturalmente criativo e dotado de recursos. O trabalho do coach é prover suporte para desenvolver habilidades, recursos e criatividade do indivíduo, orientado para o futuro (Willians, Menendez, 2007).

As Neurociências são um conjunto de disciplinas científicas, tais como 
Psicologia, Biologia, Sociologia, Linguística, Pedagogia, etc., que se dedicam ao estudo da interação entre o sistema nervoso, os demais órgãos, a mente humana e o ambiente externo. Ou seja, estuda como o cérebro processa pensamentos, sentimentos e comportamentos, bem como se dá o gerenciamento neural das necessidades de sobrevivência e adaptação deste organismo. Enfim, estuda o que, biologicamente, nos faz humanos (Gondim, Taunay, 2013). Um dos achados das Neurociências, não consensual, se refere ao processamento diferencial entre hemisférios cerebrais, sendo o hemisfério esquerdo mais racional, lógico, serial e analítico, enquanto o hemisfério direito se dedica de modo preponderante a processos mais emocionais, intuitivos, em paralelo e holístico (Dalgalarrondo, 2011). Ambos se complementam em função e aqueles que utilizam predominantemente um dos hemisférios em seu dia a dia, e não o cérebro de modo integral, apresentam peculiaridades comportamentais que não expressam a potencialidade que o órgão maestro da conduta humana, o cérebro, é capaz de prover no seu cotidiano pessoal, social e profissional. O CIS busca, por meio de técnicas derivadas do conhecimento em Neurociências, exercitar e desenvolver o potencial de ambos os hemisférios, resultando num equilíbrio no processo de tomada de decisão cotidiana.

A visão sistêmica da abordagem e compreensão do ser humano surgiu com base nos estudos da Física Moderna, complementando a visão biomédica da atenção à saúde, a qual se restringia aos aspectos biológicos e materiais da compreensão do homem (Capra, 2006). Este modelo enfatiza o papel do relacionamento e da compreensão da saúde humana em amplos contextos. A abordagem biopsicossocial, derivada deste novo paradigma, considera sistematicamente os fatores biológicos, psicológicos e sociais e sua interação no processo de saúde-doença (Engels, 1977). Recentemente, pesquisadores têm ampliado o escopo desta abordagem e preconizado o modelo biopsicossocioespiritual de compreensão humana, aceitando e adicionando ao trinômio biopsicossocial a dimensão espiritual. Para muitos, tal dimensão espiritual se expressa e se restringe a aspectos religiosos, no entanto, esta se refere à aquisição de um significado e propósito de vida, fé e valores e objetivos para além de uma visão materialista (Cloninger, 2006). Independente de como a espiritualidade é expressa, juntamente com as demais dimensões supracitadas, possibilitam a compreensão integral de cada pessoa assumindo que, quando adversidades de quaisquer ordens o afligem, o atingem em sua totalidade (Ramsey, 1970). Tal modelo biopsicossocioespiritual não é dualístico no qual uma “alma” acidentalmente “habita” um corpo. Sendo assim, neste entendimento, o biológico, o psicológico, o social e o espiritual são dimensões distintas, dinâmicas e interativas do ser humano, e nenhum aspecto pode ser desconsiderado na abordagem ao cliente (McKee, Chappel, 1992). Cada aspecto pode ser afetado diferentemente pela dinâmica saúde-doença e história pessoal, e cada aspecto pode interagir e afetar as outras dimensões do sujeito (Sulmasy, 2002).

O conceito de Bem-Estar Subjetivo (BES) tem se difundindo progressivamente
no âmbito de pesquisas em saúde em anos recentes (Calvetti, Muller & Nunes, 2007). Atualmente, este construto tem sido freqüentemente utilizado em diversos campos das ciências da saúde, humanas e sociais (Reppold & Hutz, 2002; Yunes, 2003). Na literatura científica, este conceito pode ter outras denominações, tais como felicidade, satisfação, estado de espírito e afeto positivo. Diener (1996) afirma que, de forma ampla, o tema trata sobre como as pessoas avaliam suas próprias vidas. Mais especificamente, diz respeito a como e por que as pessoas experienciam suas vidas positivamente e como avaliam subjetivamente a sua qualidade de vida. O BES pode ser trabalhado em três categorias: possuir alguma qualidade desejável, baseada em critérios externos (como virtude ou santidade), não sendo pensada como um estado subjetivo; o que leva as pessoas a avaliar suas vidas em termos positivos (satisfação de vida),
utilizando padrões dos próprios respondentes para determinar o que é a felicidade; por fim, considera-se BES como sendo o estado que denota uma predominância do afeto positivo sobre o negativo (experiência emocional de satisfação ou prazer), dizendo respeito à frequência de experienciar emoções positivas ou negativas durante um período específico da vida ou a predisposição das pessoas a tais emoções (Diener, 1984). Recentemente, tem-se considerado que BES envolve um conjunto de categorias com componentes cognitivos e emocionais utilizadas pelas pessoas para avaliar sua própria vida, não sendo uma avaliação externa com relação à qualidade de vida de uma pessoa. Trata-se da avaliação pessoal, subjetiva, de cada um sobre sua própria qualidade vida, sobre sua própria satisfação cotidiana. Assim, BES representa uma avaliação pessoal sobre quão feliz o sujeito se sente, independentemente do contexto e critérios
externos, como condições socioeconômicas, saúde, sucesso e outras variáveis, que poderiam permitir uma avaliação objetiva de qualidade de vida. (Nunes, Hutz & Giacomoni, 2009). 

Segundo Andrade e Gorenstein (1998), a ansiedade trata-se de um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos, comum à experiência humana e ajuda no desempenho dos indivíduos. Esta se torna patológica quando não existe um objeto específico ao qual se direcione e quando surge como desproporcional à situação que a desencadeia. Os transtornos de ansiedade estão entre os transtornos psiquiátricos mais freqüentes na população geral, com prevalências de 12,5% ao longo da vida e 7,6% ao ano, cujos sintomas estão entre os mais comuns, podendo ser encontrados em qualquer pessoa em determinados períodos de sua existência (ANDRADE; GORESTEIN, 1998; AUBREY LEWIS, 1979 apud ANDRADE; GORENSTEIN, 1998) salienta que existem manifestações autonômicas, como secura da boca, sudorese, arrepios, tremor, vômitos, palpitação, dores abdominais e outras alterações biológicas e bioquímicas detectáveis por métodos apropriados de investigação. Psicologicamente, dentre outras definições encontradas, este autor ressalta que a ansiedade é um estado de medo em relação ao futuro, como uma sensação de perigo iminente sem risco real e, se este houver, a emoção é desproporcionalmente mais intensa. Ainda, a ansiedade pode afetar aspectos da cognição, como percepção e memória. Desse modo, a ansiedade não envolve um construto unitário, principalmente no contexto psicopatológico. A ansiedade pode ser generalizada ou focada em situações específicas, como nos transtornos fóbicos. A ansiedade não-situacional é ampla, podendo ser um estado de início recente ou uma característica persistente da personalidade do indivíduo (ANDRADE; GORENSTEIN, 1998).

A depressão é uma síndrome psiquiátrica altamente prevalente na população
brasileira e mundial, com índices em torno de 16% ao longo da vida. Como doença, ela tem sido classificada de várias formas. Dentre os quadros mencionados na literatura atual encontram-se: episódio depressivo maior, melancolia, distimia e depressão bipolar (Lacerda, 2009). Como síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, incapacidade de sentir prazer, apatia), mas também vários outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (tabela 1).

A depressão é a patologia psiquiátrica mais comum, sendo considerada uma
condição médica crônica e recorrente. A prevalência anual na população em geral varia entre 3% e 11% (Fleck, Lafer et al., 2003). Em populações com doenças clínicas, a
incidência varia entre 5% e 10% nos pacientes ambulatoriais e entre 9% e 16% nos
internados (Katon, 2003). Está frequentemente associada à incapacidade funcional e
comprometimento da saúde física e tanto a depressão maior quanto sintomas
depressivos subclínicos trazem substanciais riscos a saúde (Kiecolt-Glaser et al., 2002).
Por exemplo, um estudo de 13 anos de seguimento indicou que pacientes diagnosticados
com depressão maior têm um risco aumentado em 4,5 vezes de ter um ataque cardíaco
do que aqueles sem histórico da morbidade (Pratt, Ford et al., 1996). Adicionalmente,
síndromes depressivas comumente se associam a diminuição da produtividade,
incapacidade funcional e absenteísmo (Hotopf, Chidgey et al., 2002), bem como a
elevação dos custos relacionados à saúde.

Uma série de estudos aponta que o life coaching – coaching baseado nas
necessidades, valores e prioridades dos clientes, orientado para a totalidade da vida do
sujeito e focado no aumento da qualidade de vida ao invés da diminuição de emoções
negativas e patologia, é capaz de promover um estilo de vida saudável de modo eficaz
(Ammentorp, Uhrenfeldt et al., 2013). Estudos demonstram que o incremento do bem
estar psicológico é mais preditivo de saúde mental e bom funcionamento psicossocial
do que a mera ausência de sintomas psiquiátricos ou diminuição do mal estar (Fava,
Ruini, 2003), o que engendra uma mudança na perspectiva dos profissionais de saúde.
Neste sentido, diversas evidências empíricas sugerem que o Método CIS – treinamento
em inteligência emocional baseado na metodologia do Coaching Integral Sistêmico –,
auxilia de maneira significativa aos participantes a conquistarem objetivos relevantes e
a superar dificuldades emocionais em curto, médio e longo prazos. Conforme
observações não-sistemáticas, os participantes e suas famílias e rede social próxima
relatam sofrer menos com sintomas psiquiátricos (de ansiedade, depressão e
esquizofrenia), atingir melhor qualidade de vida, desenvolver autoconfiança, restaurar
importantes relacionamentos familiares e sociais e aumentar a sensação de bem-estar
subjetivo, isto é, vivenciar mais emoções positivas do que negativas e adquirir um
sentido de vida tornando-a mais significativa e menos vulnerável a doenças físicas e
mentais.

Até o presente momento, não existem estudos científicos para averiguação dos
efeitos do Método CIS no bem estar subjetivo, sintomas de ansiedade e de depressão
das pessoas,qualidade de vida das pessoas, bem como em sua satisfação com a vida,
apesar de inúmeros relatos pessoais dos participantes acerca dos benefícios que o curso
os proporcionou. Desse modo, o objetivo do presente estudo é avaliar se o Método CIS
é eficaz no incremento da satisfação e qualidade de vida dos seus participantes, a curto
(1 mês) e longo (1 ano) prazos.

2. Metodologia

2.1 Características gerais do estudo e critérios de seleção

Este é um estudo quantitativo, descritivo e longitudinal. Foram convidados a
participar do estudo alguns alunos do curso Método CIS abordados por meio da
distribuição aleatória do instrumento de avaliação nos assentos disponíveis no local de
realização curso, previamente ao início do mesmo.

2.1.1 Local do estudo

O Método CIS é um curso de inteligência emocional realizado algumas vezes
por ano nas cidades de Fortaleza-CE (sede da empresa responsável pelo evento),
Brasília-DF, São Paulo-SP e Porto Velho-RO. Até o presente momento, já foram
realizadas quase 150 turmas, das quais mais de 25 mil pessoas foram participantes. O
curso é ministrado por um profissional de coaching (PV) com formação em Gestão de
Pessoas, Administração, Marketing, Programação Neurolinguística e com mais de 8 mil
horas de sessões de coaching de experiência, presidente da Federação Brasileira de
Coaching Integral Sistêmico (Febracis). Atualmente, o curso conta com, em média, 600
participantes por turma.

2.2. Instrumentos

2.2.1 Questionário geral (Anexo A)
No questionário de dados demográficos e socioeconômicos, as seguintes
variáveis sócio-demográficas foram coletadas: idade, gênero, escolaridade e renda
mensal.


2.2.2 Escala de Satisfação com a Vida (Anexo B)
Trata-se de um instrumento elaborado para avaliar a satisfação global de vida em
adultos, jovens e pessoas de terceira idade (Diener et al., 1985). Inclui cinco itens em
escala Likert de 7 pontos (“Em muitos aspectos, a minha vida aproxima-se dos meus
ideais”; “As minhas condições de vida são excelentes”; “Estou satisfeito com minha
vida”; “Ate agora, consegui obter aquilo que era importante na vida”; “Se pudesse viver
a minha vida de novo, não alteraria praticamente nada”). A soma dos escores
(amplitude) da escala varia de cinco (baixa satisfação) a 35 (alta satisfação). Os estudos
sobre as características psicométricas da escala indicam elevados índices de
confiabilidade e consistência interna (Alpha de Cronbach: 0,82). Análises fatoriais de
estudos posteriores a sua validação replicaram a estrutura unifatorial, explicando cerca
de 66% de variância da escala, que já foi normatizada para as mais diversas populações,
incluindo adultos idosos, pessoas portadoras de necessidades especiais, estudantes
universitários e amostras de outras culturas, que não a norte-americana (Ribeiro e Ruiz,
2009). O escore médio obtido no estudo original para adultos jovens foi de 23,5 e o
ponto neutro na escala (percentil 50) corresponde ao escore bruto 20. As médias de
escores encontradas nos diversos grupos não clínicos variaram de 23 a 28 (levemente
insatisfeito a satisfeito). No Brasil, uma adaptação por Giacomoni e Hutz (1997)
apresentou resultados coerentes com estudos americanos. A versão original do
instrumento traduzido para o português é disponibilizada pelos autores no endereço
eletrônico www.psych.uiuc.edu/~ediener, junto com suas instruções de aplicação e
avaliação.

2.2.3 Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (Anexo C)
Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão – HAD (Zigmond e Snaith, 1983):
Esta escala é um instrumento de auto-relato estruturado, que possui 14 itens, dos quais
sete são voltados para a avaliação da ansiedade (HAD-A) e sete para a depressão (HADD). Cada um dos seus itens pode ser pontuado de zero a três, compondo uma pontuação
máxima de 21 pontos para cada escala (Botega, Bio et al., 1995) (Anexo C).

2.3 Procedimentos

Para o presente estudo, foram convidados a responder aos instrumentos de
pesquisa os participantes da turma 127, que foram avaliados no início do curso e um
ano após a realização do mesmo. As avaliações iniciais foram feitas por meio de teste
em lápis-e-papel, respondidos em sala. As reavaliações foram realizadas por telefone,
conduzidas por uma estagiária de Psicologia (PS), devidamente treinada, que também
participou da revisão final do texto. A coordenação, supervisão e planejamento do
estudo, análise de dados e escrita do artigo foi realizada por um psicólogo com
formação profissional em coaching, professor universitário, pesquisador e doutor em
Ciências Médicas (TT).

2.4 Análise estatística

Para a análise dos dados coletados foi utilizado o programa Statistical Package
for the Social Sciences (SPSS Inc, Chicago, IL), versão 20.0 para Windows. O teste de
Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para determinar a distribuição normal das variáveis.


Para comparação entre as médias das amostras dependentes foi utilizado o teste
não paramétrico Wilcoxon Signed-Rank Test. Para que sejam considerados
estatisticamente significativos, foi estabelecido o valor de p menor do que 0,05. Os
dados comparativos também são apresentados na forma de gráficos em barras (com erro
padrão da média em intervalo de confiança a 95%). As estatísticas descritivas são
apresentadas em forma de média e desvio padrão (DP) e frequência relativa
(percentagem).

3. Resultados

A amostra de participantes do CIS foi composta de 100 sujeitos. Do total de
participantes no início do estudo, 67 responderam ao reteste. A média de idade foi de
34,3 (DP=10,6), sendo 28 homens e 39 mulheres. A média de renda dos participantes
foi de R$10.600,9 (DP=9.858,6, em reais), dos quais vinte e uma pessoas não
informaram a renda. No que se refere à escolaridade, 39 relataram ter ensino superior
completo, 16 relataram ter superior incompleto e 11 relataram possuir ensino médio.

No que se refere à comparação entre as amostras dependentes para bem estar
subjetivo, observamos diferenças estatisticamente significativas (p<0,001) entre a média
dos participantes ao início do estudo (µ=19,53; DP=7,44) e um ano após a realização do
curso (µ=24,04; DP=6,15), conforme demonstrado pelo teste não paramétrico para
amostras dependentes Wilcoxon Signed-Rank Test. As diferenças entre as médias de
bem estar subjetivo antes da participação no curso e um ano após a mesma não devem
ter ocorrido por erro amostral. De acordo com o gráfico 1, podemos estatisticamente
afirmar com 95% de confiança que as médias das amostras dependentes são diferentes.

Gráfico 1.Gráfico de comparação entre as médias (Intervalo Confiança a 95%) do
grupo de participantes do Método CIS em dois momentos, antes da realização do curso
(grupo 1) e um ano após o mesmo (grupo 2), em relação a bem estar subjetivo, medida
pela SWLS (n=67).

No que se refere à comparação entre as amostras dependentes para sintomas de
ansiedade, observamos diferenças estatisticamente significativas (p<0,001) entre a
média dos participantes ao início do estudo (µ=9,11; DP=3,99) e um ano após a
realização do curso (µ=1,13; DP=0,88), conforme demonstrado pelo teste não
paramétrico para amostras dependentes Wilcoxon Signed-Rank Test. As diferenças entre
as médias da quantidade de sintomas de ansiedade antes da participação no curso e um
ano após a mesma não devem ter ocorrido por erro amostral. De acordo com o gráfico 2,
podemos estatisticamente afirmar com 95% de confiança que as médias das amostras
dependentes são diferentes.

Gráfico 2.Gráfico de comparação entre as médias (Intervalo Confiança a 95%) do grupo de participantes do Método CIS em dois momentos, antes da realização do curso (grupo 1) e um ano após o mesmo (grupo 2), em relação a sintomas de ansiedade, medida pela HAD-Ansiedade (n=67).

No que se refere à comparação entre as amostras dependentes para sintomas de
depressão, observamos diferenças estatisticamente significativas (p<0,001) entre a
média dos participantes ao início do estudo (µ=7,14; DP=3,66) e um ano após a
realização do curso (µ=0,19; DP=1,03), conforme demonstrado pelo teste não
paramétrico para amostras dependentes Wilcoxon Signed-Rank Test. As diferenças entre
as médias da quantidade de sintomas de depressão antes da participação no curso e um
ano após a mesma não devem ter ocorrido por erro amostral. De acordo com o gráfico 3,
podemos estatisticamente afirmar com 95% de confiança que as médias das amostras
dependentes são diferentes.

Gráfico 3.Gráfico de comparação entre as médias (Intervalo Confiança a 95%) do grupo de participantes do Método CIS em dois momentos, antes da realização do curso (grupo 1) e um ano após o mesmo (grupo 2), em relação a sintomas de depressão, medida pela HAD-Depressão (n=67). 

4. Discussão

A metodologia CIS propõe um modelo de desenvolvimento humano alinhada
com a abordagem biopsicossocioespiritual de atenção à saúde e o paradigma sistêmico
de compreensão do homem, utilizando conceitos derivados de pesquisas em ciências
biológicas, incluindo neurociências e genética, e psicologia positiva e cognitiva. Tratase de um conceito promissor de reformulação de hábitos de vida e reprogramação de
crenças disfuncionais com resultados considerados rápidos e consistentes, segundo
relatos de inúmeros usuários desta metodologia.


Buscando constatar tais benefícios no que tange a uma metodologia inovadora
de coaching, que integra conceitos de Neurociências no âmbito de uma abordagem
biopsicossocioespiritual, verificamos diferenças estatisticamente significativas
(p<0,001) nos índices de bem estar subjetivo e de sintomas de ansiedade e depressão,
medidos por instrumentos psicométricos validados cientificamente, ao início e um ano
após a realização do curso entre participantes da turma 127 do curso Método CIS.


Os presentes resultados indicam que o curso parece ser uma alternativa
promissora para engendrar melhores níveis de satisfação com a vida e redução nos
sintomas de ansiedade e depressão dentre os participantes, mesmo até um ano após ter
participado do curso. Estes resultados fortalecem as evidências empíricas que, de fato, o
curso traz significativos benefícios para os participantes. Uma possível razão para tal é a
adoção de um novo e saudável estilo de vida, por meio da conscientização de quais
novos comportamentos são desejáveis em diversas áreas de vida do sujeito e quais são
indesejáveis (Ammentorp, Uhrenfeldt, et al., 2013). Outros aspectos importantes
presentes no curso que contribuem para estes resultados são estratégias eficazes de
promoção da felicidade, atestadas por pesquisas em Psicologia Positiva – um novo ramo
da Psicologia que enfoca, contrariamente à pesquisa tradicional em Psicologia, as forças
e virtudes do ser, capazes de gerar bem estar (Seligman, Tseen et al., 2005), tais como a
prática voluntária da gratidão (Emmons, McCullough, 2003), o perdão (Konstam, Marx
et al., 2000), pensamentos positivos (MacLeod, Moore, 2000), o gerenciamento e
autorregulação de emoções (Goleman, 1995; Ekman, 2007), a adoção de um sentido
próprio de vida baseado em princípios e valores (Cloninger, 2006; Hyun, 2001), o
estabelecimento de metas e objetivos significativos de vida (Goldman, Masterson et al.,
2002) e boas relações sociais (Burt, 1987; Omish, Lin et al., 2013).


Com isto, o curso Método CIS é capaz de viabilizar uma nova perspectiva de
vida, libertadora e instigante, que transforma não apenas a relação do sujeito consigo
mesmo, bem como suas relações sociais e afetivas. Esta iniciativa se faz necessária no
contexto atual da sociedade, tão precário na expressão e manutenção de sentimentos de
amor ao próximo e si mesmo, que está na base do elevado quadro atual de violência,
transtornos psiquiátricos, moléstias físicas, dependência química e pobres relações
familiares, sociais e trabalhistas, de modo que o curso pode ser importante não só para a
transformação do indivíduo e sua saúde física e mental, mas para a sociedade como um
todo.


No entanto, para que haja maior confiabilidade nos resultados apresentados, são
necessárias novas medições e aumento do tamanho da amostra, bem como buscar
minimizar o impacto de possíveis variáveis de confusão que podem interferir nos
resultados, tais como participar de outras atividades de desenvolvimento pessoal no
intervalo de avaliação, além de outras variáveis como religiosidade, estado civil,
atividade física, temperamento, dentre outras. Isso ocorre porque os motivos pelos quais
houveram abstenções podem ser devido a insatisfações com o curso não detectadas pela
investigação. Além disso, faz-se relevante a realização de estudos qualitativos para
investigar quais aspectos do curso são importantes para os benefícios constatados, bem
como buscar possíveis aspectos insatisfatórios que podem ser melhorados em futuras
edições do curso.

5. Considerações finais

De acordo com o presente estudo, o curso de inteligência emocional Método CIS
apresenta evidências iniciais de que é capaz de promover de forma sustentada e
consistente melhor satisfação com a vida e redução de sintomas de ansiedade e de
depressão, contribuindo para promover saúde mental e prevenir o sofrimento
psicológico dos participantes, mesmo um ano após participação no curso. No entanto,
mais estudos se fazem necessários para comprovar tais resultados.

6. Referências

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